Instituição

Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa

O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL), criado pela Portaria nº 1373/2007 de 19 de Outubro, resulta da integração, por fusão, dos históricos hospitais Júlio de Matos e Miguel Bombarda sendo um estabelecimento público do Serviço Nacional de Saúde dotado de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

O Centro Hospitalar nasceu com a responsabilidade de assegurar a prestação de cuidados especializados de psiquiatria e saúde mental a todos os cidadãos adultos, no âmbito da competência e capacidade das unidades que o integram, dando execução às orientações de política de saúde mental a nível nacional e regional, aos planos estratégicos e decisões superiormente aprovadas.
O CHPL intervém de acordo com as áreas de influência e redes de referenciação, cumprindo os contratos-programa celebrados, em articulação com as demais instituições que integram a rede de prestação de cuidados de saúde.

 

 

 

 

 

 

 

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Organograma 2019

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Hospital Júlio de Matos 

@Fotografia Vasco Inglez

Inaugurado a 2 de Abril de 1942, o Hospital Júlio de Matos foi considerado à época um dos melhores da Europa tendo o professor de Neurologia António Flores (1883-1957) como primeiro diretor. Nos anos seguintes, a reputação do hospital continuou a consolidar-se, em grande parte devido à inovação da instalação da primeira Unidade de Psicocirurgia Portuguesa, onde Egas Moniz viria a desenvolver as técnicas de leucotomia pré-frontal e angiografia cerebral.
Para a notoriedade internacional contribuiu ainda a nova abordagem no tratamento dos doentes psiquiátricos, a qual lhes proporcionava uma maior liberdade, incluindo a circulação no exterior do hospital para alguns deles.

 

 Os primeiros anos da História do Hospital Júlio de Matos

Breve Introdução


Datam de 1912 os primeiros estudos do “Novo Manicómio de Lisboa”. No Diário do Govêrno N.º 229, publicado em 28 de Setembro de 1912: podemos ler Atendendo ao que expôs o director do Manicómio Bombarda [Júlio de Matos]: Manda o Governo da República Portuguesa, que o médico e adjunto do mesmo manicómio, José de Matos Sobral Cid, seja encarregado de, (…), visitar no estrangeiro alguns dos mais celebres manicómios, a fim de fornecer a comissão que está elaborando o projecto do novo manicómio de Lisboa, os dados e esclarecimentos de que ela possa precisar no curso dos seus trabalhos.

A edificação, em Lisboa, de um hospital psiquiátrico moderno, capaz de satisfazer as necessidades de assistência, do ensino e da investigação científica foi possível graças ao grande prestígio de Júlio de Matos junto dos primeiros governantes do regime republicano e ao valor testamentário de António Hygino Salgado d’Araújo, falecido em 24 de Junho de 1911.

Em concordância com o seu pensamento, o tipo de hospital escolhido foi o de pavilhões (em número de 33), de côr rosa, dispostos de forma funcional numa área de 14,5 hectares. Nestes, os doentes seriam agrupados em pequenas unidades de 8 a 10 doentes, para evitar a influência de uns sobre os outros. Numa área de 22 hectares, a ornamentação arbórea foi cuidadosamente planeada, graças à inclusão, numa vasta equipa técnica, de um arquitecto paisagista, Prof. Caldeira Cabral e de um engenheiro agrónomo e silvicultor, Prof. Azevedo Gomes.

Júlio de Matos terá adquirido (…) uma parte substancial dos terrenos (…)

[ao preço de] três tostões o metro quadrado (…).

O estabelecimento deveria obedecer a três requisitos:

1) Constituir um manicómio de primeira categoria de acordo com a letra do Decreto de 11                                          de Maio de 1911, também  inspirado  por Júlio de Matos, competindo-lhe portanto,  junta-   mente com as funções de assistência,  servir  ao  ensino  da  psiquiatria  e  à  investigação  científica para este fim foi dotado de uma Biblioteca e de um Museu, os quais foram desde logo planeados no projecto inicial);

2) Ter a capacidade mínima de 800 camas;

3) Destinar uma parte da lotação a pensionistas, visto, no entender da primeira Comissão, a  indústria das  casas-de-saúde não corresponder no país às necessidades,  principalmente das classes abastadas.

Embora as plantas datem de 9 de Outubro de 1913, a sua construção demorou quase 30 anos,

Trinta anos de gestação (…) são tempo mais que suficiente (…) para se criar na fantasia do público muita (…) inexactidão. Por isso me parecem necessários estes (…) apontamentos históricos, destinados a corrigir erros que já andam impressos, (…) quanto sobre o novo hospital nada existe escrito (…), a não ser a memória descritiva do primeiro projecto, (…) em exemplar único (…) na posse da actual Comissão.      

A primeira fase de construção compreende o período de 1914, Julho, a 1932. Tem como Presidente, da Comissão, o professor Júlio de Matos e, como vogais, o engenheiro D. Luís de Melo Correia, e, o arquitecto Leonel Gaia.

A segunda fase, compreende o período de 1933 a 1942. Tem como Presidente da Comissão, o professor Sobral Cid, sucessor de Júlio de Matos, o neurologista Almeida Dias, o arquitecto Carlos Chambers Ramos, o engenheiro Leote Tavares e o coronel Ricardo Amaral, representante da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.