Instituição

Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa

O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) foi criado pela Portaria-1373/2007 de 19 de outubro, resultante da fusão dos históricos Hospital Júlio de Matos e Hospital Miguel Bombarda. É um estabelecimento do Serviço Nacional de Saúde, integrado no Setor Público Administrativo.

Tem por missão garantir à população adulta, da sua área de influência direta e indireta, o acesso a cuidados especializados de psiquiatria e de saúde mental, em tempo oportuno e de forma integrada, prestados por equipas multidisciplinares qualificadas, visando garantir de forma sustentada as respostas que os cidadãos adultos portadores de doença mental necessitam em todo o seu ciclo de doença.

A prestação de cuidados inclui o internamento de doentes agudos, repartido por seis clínicas psiquiátricas, bem como a aplicação de programas específicos de âmbito transversal, alguns orientados por patologia. Inclui ainda o desenvolvimento de redes de serviços locais organizadas por setores geodemográficos, com áreas funcionais de consultas externas e de intervenção comunitária, bem como o desenvolvimento de programas de reabilitação adaptados às necessidades específicas dos doentes residentes, promovendo a sua desinstitucionalização.

 

O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa assegura, com os seus recursos humanos, o atendimento psiquiátrico de urgência no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central – Hospital de S. José, assegurando em simultâneo a intervenção comunitária e domiciliária através de estruturas disseminadas na comunidade, designadamente, em Sintra, Odivelas, Torres Vedras e Mafra, com equipas multidisciplinares constituídas por médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos do serviço social, terapeutas ocupacionais, entre outros.

Compete-lhe ainda a organização da prestação de serviços de âmbito regional a todo o sul do país, designadamente o internamento na psiquiatria forense e o internamento de jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos, numa unidade partilhada com o Serviço de Pedopsiquiatria e Saúde Mental do CHULC (Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central). Disponibiliza também algumas áreas de intervenção específica, nomeadamente, electroconvulsivoterapia, neurofisiologia, psicoterapias especializadas, para as quais, atendendo à especificidade e racionalidade na distribuição de recursos, não sejam justificáveis valências ao nível local.

O CHPL contribui também com iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional dos seus colaboradores, investigação em saúde, ensino pré e pós-graduado e articulação com outras entidades públicas e privadas.

 

 

 

 

Organograma do CHPL 

Carregue aqui  para aceder ao Organograma em vigor.

(atualizado a julho de 2021)

Regulamento Interno CHPL

O Regulamento Interno do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, SPA, homologado pela Senhora Ministra da Saúde a 07-07-2021, nos termos do artigo 20º, n.º 1, alínea c) do DL de 18/2017 de 10 de fevereiro.

Aceda aqui ao Regulamento Interno em vigor.

Hospital Júlio de Matos 

@Fotografia Vasco Inglez

Inaugurado a 2 de Abril de 1942, o Hospital Júlio de Matos foi considerado à época um dos melhores da Europa tendo o professor de Neurologia António Flores (1883-1957) como primeiro diretor. Nos anos seguintes, a reputação do hospital continuou a consolidar-se, em grande parte devido à inovação da instalação da primeira Unidade de Psicocirurgia Portuguesa, onde Egas Moniz viria a desenvolver as técnicas de leucotomia pré-frontal e angiografia cerebral.
Para a notoriedade internacional contribuiu ainda a nova abordagem no tratamento dos doentes psiquiátricos, a qual lhes proporcionava uma maior liberdade, incluindo a circulação no exterior do hospital para alguns deles.

 

 Os primeiros anos da História do Hospital Júlio de Matos

Breve Introdução


Datam de 1912 os primeiros estudos do “Novo Manicómio de Lisboa”. No Diário do Govêrno N.º 229, publicado em 28 de Setembro de 1912: podemos ler Atendendo ao que expôs o director do Manicómio Bombarda [Júlio de Matos]: Manda o Governo da República Portuguesa, que o médico e adjunto do mesmo manicómio, José de Matos Sobral Cid, seja encarregado de, (…), visitar no estrangeiro alguns dos mais celebres manicómios, a fim de fornecer a comissão que está elaborando o projecto do novo manicómio de Lisboa, os dados e esclarecimentos de que ela possa precisar no curso dos seus trabalhos.

A edificação, em Lisboa, de um hospital psiquiátrico moderno, capaz de satisfazer as necessidades de assistência, do ensino e da investigação científica foi possível graças ao grande prestígio de Júlio de Matos junto dos primeiros governantes do regime republicano e ao valor testamentário de António Hygino Salgado d’Araújo, falecido em 24 de Junho de 1911.

Em concordância com o seu pensamento, o tipo de hospital escolhido foi o de pavilhões (em número de 33), de côr rosa, dispostos de forma funcional numa área de 14,5 hectares. Nestes, os doentes seriam agrupados em pequenas unidades de 8 a 10 doentes, para evitar a influência de uns sobre os outros. Numa área de 22 hectares, a ornamentação arbórea foi cuidadosamente planeada, graças à inclusão, numa vasta equipa técnica, de um arquitecto paisagista, Prof. Caldeira Cabral e de um engenheiro agrónomo e silvicultor, Prof. Azevedo Gomes.

Júlio de Matos terá adquirido (…) uma parte substancial dos terrenos (…)

[ao preço de] três tostões o metro quadrado (…).

O estabelecimento deveria obedecer a três requisitos:

1) Constituir um manicómio de primeira categoria de acordo com a letra do Decreto de 11                                          de Maio de 1911, também  inspirado  por Júlio de Matos, competindo-lhe portanto,  junta-   mente com as funções de assistência,  servir  ao  ensino  da  psiquiatria  e  à  investigação  científica para este fim foi dotado de uma Biblioteca e de um Museu, os quais foram desde logo planeados no projecto inicial);

2) Ter a capacidade mínima de 800 camas;

3) Destinar uma parte da lotação a pensionistas, visto, no entender da primeira Comissão, a  indústria das  casas-de-saúde não corresponder no país às necessidades,  principalmente das classes abastadas.

Embora as plantas datem de 9 de Outubro de 1913, a sua construção demorou quase 30 anos,

Trinta anos de gestação (…) são tempo mais que suficiente (…) para se criar na fantasia do público muita (…) inexactidão. Por isso me parecem necessários estes (…) apontamentos históricos, destinados a corrigir erros que já andam impressos, (…) quanto sobre o novo hospital nada existe escrito (…), a não ser a memória descritiva do primeiro projecto, (…) em exemplar único (…) na posse da actual Comissão.      

A primeira fase de construção compreende o período de 1914, Julho, a 1932. Tem como Presidente, da Comissão, o professor Júlio de Matos e, como vogais, o engenheiro D. Luís de Melo Correia, e, o arquitecto Leonel Gaia.

A segunda fase, compreende o período de 1933 a 1942. Tem como Presidente da Comissão, o professor Sobral Cid, sucessor de Júlio de Matos, o neurologista Almeida Dias, o arquitecto Carlos Chambers Ramos, o engenheiro Leote Tavares e o coronel Ricardo Amaral, representante da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.